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16 de Maio de 2021
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    Pela demarcação das terras indígenas da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS

    Dados de 2011, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), revelam que morrem mais indígenas em Mato Grosso do Sul (MS), com 55,5% dos assassinatos em todo o País. Ainda segundo o relatório, nos últimos oito anos, mais de 4 mil crianças indígenas sofreram por desnutrição no estado, sendo os anos mais críticos 2003, quando a taxa de mortalidade por desnutrição foi de 93 crianças para cada mil nascimentos e 2004, quando a taxa foi de 63 crianças. O documento ainda aponta que, de 2003 a 2010, o índice de assassinatos na Reserva de Dourados é de 145 para cada 100 mil habitantes – no Iraque, o índice é de 93 assassinatos para cada 100 mil. Comparado à média brasileira, o índice de homicídios da Reserva de Dourados é 495% maior.

    Mesmo com este contexto de violência aos povos indígenas, a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul emitiu ordem de despacho pela “reintegração de posse” e retirada das comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay. Ao todo, são 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças que resistem em solo tradicional, às margens do rio Hovy, onde já ocorrem quatro mortes, duas por suicídio e duas por espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas, de acordo com documento divulgado pela comunidade. A única saída do acampamento é pelo Rio Hovy (30 metros de largura e três de profundidade), com um improviso de arames e cipós que são rotineiramente cortados pelos pistoleiros.

    Desde 1991, apenas oito terras indígenas foram homologadas para esses indígenas que compõem o segundo maior povo do país, com 43 mil indivíduos, que vivem em terras diminutas. Por tudo isso, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) pede a devida demarcação de terras, de acordo com reivindicação dos povos indígenas. Ainda com todas estas ameaças e contexto de violência, os indígenas resistem e prometem resistir mais. Resistimos juntos, lado a lado pelo direito de realmente viver, e não apenas sobreviver, uma vez que estes povos vivem em situação extremamente limitada com alimentação, ameaças de pistoleiros. Não podemos permitir a extinção de comunidades tradicionais, que são o Brasil. Não decretemos o genocídio de um povo. Pelo direito do bem viver. Pelos direitos dos povos tradicionais e da demarcação de terras.

    Fisenge – Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

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